David Rocha
Nada será impossível ao nosso amor, Enquanto deixar-me contigo e enquanto comigo for.
Textos

Encontro Marcado...

Rap, vocais masculinos

2025-01-06 04:35:27

O que tens a dizer, enigma que me assola, um eco distante, em meu ser latente.

Talvez a verdade, um fardo que não quero, mas o destino insiste, em me fazer ouvinte.

O sabor da tua fala, doce ou amargo? O meu coração, um compasso hesitante.

Se ao menos pudesse sondar teus pensamentos, sentir o pulsar do teu íntimo segredo, um universo oculto, em teu peito guardado, onde a alegria, pela dor, jaz em degredo.

Teu pranto me arrasta à melancolia, e a tristeza, como lâmina afiada, rasga a alma, em gritos silenciosos, na saudade que em meu ser está gravada.

(Um verso antigo me invade a memória)

"...Diz a verdade, o que mudou assim tão de repente? De onde vem esse medo que machuca a gente?..." (Zezé de Camargo e Luciano).

Juntei os cacos do meu ser despedaçado, mas em teu mapa, não encontro mais teu Norte.

Tento me encaixar em teu enigma, e a cabeça lateja, em dor que não se extingue.

Uma canção antiga me assombra,

"...Só uma palavra me devora... Aquela que meu coração não diz...” (Raimundo Fagner)

Ah, se meus lamentos pudessem te alcançar, Um anúncio na rádio, com voz apaixonada, Três linhas no jornal, em letras miúdas, Um grito mudo, em páginas amareladas.

Minha amiga, a mensageira do tempo, Não encontrou em nós, a estação florida.

Um outdoor?

Preço alto demais para a minha dor, Restou-me um avião de papel, em jornada sofrida.

Sobre teu muro de orgulho, ele voou, A chuva o abateu, em triste aterrissagem.

Teu cão brincou com meus restos, em vão, teu olhar sequer me tocou, em fria paisagem.

(Um rei da canção me acompanha na dor)

"...Já não sei dizer se sou feliz ou não, Já não sei pra quem eu dou meu coração..." (Roberto Carlos).

Desisto do pranto, da rima que sangra, Nenhum verso mais teu nome irá traçar.

A canção que nos uniu, emudeceu no rádio, O disco que me deste, em mil pedaços jaz.

Teu rosto, na foto empoeirada, se esvai, Enterrarei tuas lembranças, em solo profundo.

Abandono a esperança, me despeço de ti, Em teu mundo, serei um fantasma oriundo.

Aos amigos, pedi que neguem meu paradeiro, E em terras distantes, buscarei novo alento.

Arrancarei as raízes da saudade, Para não sucumbir, ao cruel tormento.

Se um dia o destino nos cruzar novamente, Que te encontre sorrindo, em novo amanhecer.

Vida refeita, amor renovado, em teu olhar, E de mim, apenas uma vaga lembrança, a esvaecer.

Não me tragas de volta à dor que me consome, Esqueça o que fui, liberte-me do que sou.

Fingirei o olvido, um sorriso forçado, Para que ninguém note, a dor que em mim restou.

Desviarei o olhar, para não te encontrar, Não cobrarei o amor que não me deste.

Me afastarei, para não ouvir tua voz, E em silêncio, seguirei meu triste degredo.

(Mas teu disfarce me engana em vão)

Percebo a intenção em teu olhar furtivo, Falas para ele ouvir, mas a mim te diriges, E em meu peito, a dor se acende, em fogo vivo.

Não suporto mais esse jogo cruel.

 

David V Rocha
Enviado por David V Rocha em 30/10/2025
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