Nordestina até a alma...
Achei pela internete...
Esse poema tão lindo...
E eu já não sou um pivete...
Tô quase com os dias findo...
Mas essa garota que fala...
É a Laura nordestina...
É uma bela menina...
E sua voz ninguém cala...
...
Esse verso é dedicado...
A todo nordestino...
Que foi-se pra outro lugar...
de um jeito repentino...
...
Seja pelos planos seus...
Pelos planos de Deus...
Ou por obra do destino...
...
Mas quando era menino...
lá nos tempos passados...
viveu aqui no Nordeste...
em algum dos nove estados...
...
Teve uma infância feliz...
Hoje para, lembra e diz...
Eu brincava nos roçados...
...
Corria pelos cercados...
Tomava banho de açude...
Subia nos pés de manga...
E de noite só era grude...
...
É aí que a medicina erra...
Pois meu corpo só era terra...
E eu cheinho de saúde...
...
E por mais que a vida mude...
Eu nunca me esquecerei...
Das mordidas das abelhas...
Das tanajuras que catei...
...
Na camisa meio dobrada
Pra depois comer assada
Na casa onde morei.
...
Nas cercas onde passei...
Nos arames eu me arranhava...
Corria, botava velame...
Pra ver se o sangue estancava...
...
Hoje só tem a lembrança...
E cicatrizes como herança...
Dos desacertos que eu levava...
...
Lembro quando vô ensinava...
Os antigos conhecimentos...
Contando causos e lendas...
Meus ouvidos sempre atentos...
...
Prestando bem atenção...
Era melhor que televisão...
Aqueles ensinamentos...
...
Alguns já partiram dessa...
outros não têm novidades...
mas sei que se perguntar...
emocionados vão falar...
que também sentem saudades...
...
A casa pode até ter caído...
O açude pode ter secado...
O cercado ter sido vendido...
E o formigueiro ter acabado...
...
Mas a terra nordestina...
como uma boa menina...
tem tudo isso anotado...
Texto retirado por David Rocha do vídeo postado no Instagram de Laura nordestina e apresentado no Podcast Nordestino...