A Crônica do Segredo...
... O Início Proibido [Falado]
[Verse 1]
No quintal da infância, a história se fez,
Com o cheiro de terra, inocente, talvez.
Mas sua casa tinha um portão de ferro,
E seus pais, nos olhos, traziam o cerro
De regras e medos, de zelos demais,
Que ergueram um muro entre os nossos ais.
[Chorus]
Ninguém podia saber do que floresceu,
O fruto proibido que a nós se prendeu.
O amor que nascia, suave e tão cru,
Censurado, escondido sob o céu azul.
[Verse 2]
Éramos um segredo, um risco que valia,
A pureza guardada sob a luz do dia.
Ah, os sábados no salão da escola,
Onde a música alta a nós nos isola.
Os passos de valsa, pretexto ideal,
Pra mão roçar a mão, num contato casual.
[Chorus]
Ninguém podia saber do que floresceu,
O fruto proibido que a nós se prendeu.
O amor que nascia, suave e tão cru,
Censurado, escondido sob o céu azul.
[Verse 3]
Seus olhos nos meus, e o mundo sumia,
Naquela canção que a gente não ouvia.
O toque fugaz, o sussurro leve e bom,
Combinando o ponto, mudando o tom.
Um mapa traçado, um olhar de repente,
A senha secreta, a cumplicidade quente.
[Chorus]
Ninguém podia saber do que floresceu,
O fruto proibido que a nós se prendeu.
O amor que nascia, suave e tão cru,
Censurado, escondido sob o céu azul.
[Verse 3]
A camisa apertada, o perfume no ar,
A gente aprendendo a arte de amar.
E quando fugíamos, por breves minutos,
Colhendo a liberdade, provando os seus frutos.
A pracinha em frente, com sua igreja austera,
Era o nosso palco, a nossa primavera.
...
A sorveteria, destino final,
Dividindo sabores, um beijo informal.
O doce gelado, o riso abafado,
O tempo que corria, sempre apressado.
[Verse 4]
Voltar pra casa antes, com o coração em festa,
Viver a aventura que em nós sempre resta.
O medo do flagra e a doce emoção,
Alimentavam a nossa clandestina paixão.
Hoje a lembrança insiste, e o nó se refaz,
Na saudade daquele amor que não volta mais.
[Chorus]
Ninguém podia saber do que floresceu,
O fruto proibido que a nós se prendeu.
O amor que nascia, suave e tão cru,
Censurado, escondido sob o céu azul.
[Verse 5]
O zelo dos pais, a inocência perdida,
A crônica de um tempo, de uma vida vivida.
A gente sabia que não ia durar,
Mas era o bastante para eternizar.
Cinquenta versos são pouco pra contar,
Desse amor de infância que eu não posso apagar.
...
No quintal da memória, eu ainda te encontro,
Naquele jardim que nos foi tão tonto...
De pureza e chama, desejo e pudor.
A doce nostalgia do nosso primeiro amor.
[Chorus]
Ninguém podia saber do que floresceu,
O fruto proibido que a nós se prendeu.
O amor que nascia, suave e tão cru,
Censurado, escondido sob o céu azul.
...
Censurado, escondido sob o céu azul.